Entrevista e dicas práticas para evitar os conflitos entre irmãos

19.2.18



Não podemos falar de conflitos entre irmãos sem falarmos daquilo que os une e da enorme cumplicidade que podem sentir. Uma fonte de felicidade para qualquer família é ver os seus filhos protegerem-se, entenderem-se e criarem uma aliança forte e duradoura.
No entanto, a realidade é, por vezes, bem diferente. E esta realidade pode perturbar a dinâmica e o bem-estar familiar.
Neste link podes ver a entrevista que dei ao Porto Canal. E também te podes inscrever aqui para vires ao nosso workshop!







Os 4 pontos que tens de usar e que te vão ajudar a estabelecer limites com os teus filhos

16.2.18


Em vários posts deste blogue fomos falando sobre limites e regras. Estes são fundamentais para que a criança possa crescer de forma segura. As regras não são apenas uma mania dos adultos embora haja muita gente grande que goste de afirmações como  'Ele tem de perceber que não pode fazer tudo o que quer' e 'Ele tem de saber que há regras' como se a criança não fosse tida nem achada mas antes considerada um ser com muitas limitações que deve obedecer, sem questionar, aos pais.

Se formos a ver bem, na prática não existem muitas regras - ou não deverão existir. Comemos todos à mesa, não batemos nos irmãos, cumprimentamos as pessoas quando nos cruzamos com elas e por aí em diante. A maior parte são regras que tornam a nossa vida mais simples, assumindo também as regras sociais. E depois há aquelas regras em que negociamos. Vamos imaginar a questão da utilização do tablet, em casa. Vamos supor que permitimos os nossos filhos jogarem durante 20 minutos à sexta à noite, depois do jantar, e ao fim-de-semana mais um pouco, depois dos trabalhos feitos. Esta é a regra que estabelecemos com eles. E como consequência podemos decidir que caso peguem no tablet nos outros dias ou em alturas que não era previsto, ficam sem o tablet durante dois dias do fim-de-semana. É um exemplo! Para que eles se sintam envolvidos é importante:

1 - Decidirmos com eles este tipo de regras (por exemplo o não bater não é negociável!).
2 - Pedir que digam em voz alta o que entenderam e o que se comprometem a fazer
3 - Enunciarem a consequência.
4 - A consequência ser justa

Basicamente, estes são os 4 pontos essenciais para estabelecermos limites como deve de ser.
Onde é que falhamos? É que não fazemos aquilo que temos de fazer. Com a insistência deles ou porque nos dá jeito, cedemos, fingimos que não vemos e esta regra deixa de ser regra e passa a sê-lo só quando nos dá jeito. E não pode ser. Para que aquilo que nós fazemos seja válido e tenha força, temos de ser coerentes e firmes. Naturalmente que muitas vezes eles vencem-nos pelo cansaço - é verdade - mas a verdade é que a nossa firmeza é um ponto que devemos trabalhar e afirmar, sem receios. Sabes porquê? Porque como te disse acima, as regras são essenciais para que eles possam sentir-se seguros.





Não deixes de ver este vídeo e inscreve-te na nossa ação mais completa onde trabalhamos a fundo a questão da firmeza e como não quebrar quando eles insistem, e também da escuta da criança, das suas necessidades. Espreita aqui e anda daí!


TPC: trabalho ou tortura para casa?

15.2.18


Obrigar as crianças a fazer TPC só porque sim é assumir que elas são preguiçosas e que não se pode confiar nelas (motivo pelo qual têm que ser forçadas a aprender). Isso não poderia ser mais errado.

Continua a ler aqui

Porque se fala tanto em literacia emocional?

9.2.18



Podemos definir literacia emocional como sendo a capacidade que temos em interpretar, compreender e dar nome àquilo que sentimos. O que nem sempre é assim tão óbvio.
Estar zangado é muito diferente de nos sentirmos frustrados mas estas duas emoções são facilmente confundidas. E porque é que é assim tão importante sabermos (sentirmos?) qual é a diferença?

1 - Em primeiro lugar porque quando sabemos aquilo que estamos a sentir conseguimos muito mais facilmente sair desse estado para outro que nos seja mais conveniente. A isto chama-se gestão emocional. Quando a emoção está mal identificada não há 'clique' que se faça. Continuamos à procura do que sentimos e parece que nada nos serve até termos a certeza que é aquela. Ora, se não temos palavras para a descrever, fica difícil evoluir de um estado para outro.
Recordo-me de há umas semanas o meu filho ter chegado ao carro e me contar que estava chateado com um amigo da escola. Contou-me o que tinha acontecido e eu retorqui, respondendo 'Deves estar mesmo triste.' 'Não, estou mesmo chateado!'. Ele conhecia a emoção e sabia que era aquela. Não era tristeza e isso permitiu que, depois de contar o que tinha acontecido, tivesse conseguido colocar de lado a questão. E também me mostrou que ele já tem vocabulário emocional e isso deixa-me feliz!

2 - Ajuda-nos a evitar situações semelhantes. Se um determinado acontecimento me provocou ansiedade, chatices ou outra emoção negativa, posso impedir que o mesmo aconteça novamente. A parte interessante é mesmo esta.

Para poderes aumentar a tua literacia emocional, no livro Crianças Felizes encontras 2 capítulos dedicados ao tema (inteligência emocional e comunicação positiva) e aqui, ainda mais desenvolvido, aulas sobre o assunto!


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Devemos ser amigos dos nossos filhos?

30.1.18


Gente boa,quando estiveres a ler este texto, estarei com a minha filha mais velha a participar nas XI jornadas da Infância da C.A.S.A Bernardo Manuel Silveira Estrela. De vez em quando a vida encarrega-se de nos criar possibilidades para estarmos juntas só as duas. Saímos a ganhar - é uma espécie de dia do filho único esticado. E estas oportunidades são excelentes momentos para nos conhecermos melhor. Mesmo atenta e mesmo presente, a verdade é que há tanto que nos escapa. 

Quando chegámos à Ribeira Grande, onde está a acontecer este evento, ficámos a saber que hoje é o Dia das Amigas (escrevo-te de véspera). Ao que parece, nos 4 fins-de-semana que antecedem o Carnaval, celebra-se o Dia dos Amigos, a seguir o das Amigas e depois o dos Compadres e Comadres. E isso fez-me pensar numa questão que me colocaram há uns tempos - será que devemos ser amigos dos nossos filhos? E depois como é que os corrigimos e como é que nos fazemos respeitar? Acredito que a geração atual de pais (e estou convencida que muitas outras gerações também, felizmente) desejam ter uma relação de afectos com os filhos. Eu não sei o que entendes por amizade mas se entendes partilha de valores e de paixões então penso que podemos ser amigos dos nossos filhos. Já levei a minha filhla a concertos de grupos que gosto, já viajei sozinha com ela. Foi ela quem me ensinou a esquiar e frequentemente ajuda-me a perceber melhor o lado do outro. Em relação ao corrigir, podemos (devemos) corrigir porque isso faz parte da missão parental. E respeito é um valor fundamental em TODAS as relações, que se vai construíndo. Sabes, acredito que desenvolvemos vários tipos de amizade com propósitos diferentes. Há amigos a quem confidenciamos umas coisas, outros são companheiros de diversão e há aquelas pessoas com quem gostamos de estar de vez em quando mas a quem, possivelmente, não chamamos amigos. E podemos ser pais que desenvolvem uma relação de afectos com os filhos que, à medida que vai crescendo vai passando por etapas diferentes e de maturação. E eu adoro passar tempo com os meus porque me fazem descobrir coisas novas sobre mim. Se isto não é uma das coisas que caracteriza a amizade, então é o quê?


2 pontos que fazem toda a diferença na parentalidade tal como na vida

30.1.18


Já aqui o disse e volto a dizer - um dos aspectos mais importantes para que possamos exercer melhor não só a nossa parentalidade como tornarmo-nos melhores pessoas passa por vários aspectos. Estes dois que se seguem são, para mim, aqueles que marcam toda a diferença:

1. Escutar ativamente
Não creio que escutar verdadeiramente o outro seja algo natural em nós. O nosso cérebro tem demasiados 'macaquinhos' que andam de galho em galho, não deixando sossegado o nosso pensamento. Escutamos à superfície, com filtros ou sem a entrega necessária para ouvir o que não é dito por palavras. Continuo a achar que escutar é um ato de coragem porque, quando criamos este espaço com o outro, criamos um lugar seguro para acolher o melhor e também o pior que o outro tem.
Mas escutar é mais do que isso - dá (ou devolvo) o sentimento ao outro do seu valor. E sabes, isso não tem preço.

2. Quem nos escute ativamente
Nem todos merecem conhecer as nossas fragilidades. A ideia é transmitida nesta entrevista de 2013 que a Brené Brown dá à Oprah e que uma aluna da Pós-Graduação me enviou. Tal como é referido nesta entrevista, o Programa +Escuta Ativa (que se insere dentro da nossa Pós-Graduação) transforma a forma como passamos a escutar o outro, sublinhando a importância deste momento. Quem já passou pelo Programa sabe bem do que falo. E por isso preciso de te colocar esta questão Tens quem te escute ativamente, sem filtros, avaliações, comparações? Sem diminuir o que sentes ou, pelo contrário, fazendo-te sentir pior? Nos dias em que correm parecem faltar essas pessoas que, ao contrário do que possas imaginar, não têm de ser os nossos melhores amigos. Se não tens, procura. Por vezes salva-nos a vida.

You share it with the people who have earned the right to hear your story.





Como lidar com crianças que têm mau perder?

23.1.18


Se a mãe ganha no jogo do berlinde já sabe que vai haver birra. "É batota!" ou "Não quero jogar mais!" são algumas das respostas habituais do filho. Mas a escalada de frustração pode terminar com um gesto mais drástico: palmadas nas pernas da mãe. Seguidas por gritos como: "És má!" As birras de mau perder de Rodrigo, de 5 anos, são mais ou menos assim. Não gosta nada de perder e quer ser sempre o primeiro em tudo. "Se eu meto o berlinde primeiro no buraco ele fica chateado, faz beicinho e pede para eu o deixar ganhar", conta a mãe, Mara Ferreira, à SÁBADO. É neste momento que Mara não consegue dizer que não e acaba por ceder. "Faço-lhe a vontade porque ele faz aquelas carinhas e pede por favor. Se lhe disser que não, chora."




A coach parental e autora do blogue Mum’s the Boss, Magda Gomes Dias, acredita que esta não é a melhor estratégia – apesar de se poder deixar ganhar algumas vezes, esta não pode ser a regra. A solução é ajudar a ganhar. "Dizer: ‘Hoje jogamos juntos e vou-te mostrar porque é que vais pôr esta carta e não aquela.’ Desta forma dou a possibilidade à criança de ganhar, não porque me fiz de tonta, mas porque a ajudei a ganhar de forma estratégica."

Até nos dados, Rodrigo tem de ter o maior número de pontos, caso contrário faz batota. "Se a tia contar 9 e se ele tiver 6, já está tudo estragado. Depois vira o dado e diz que tem mais. Para ele não é batota, mas se nós ganharmos já é", revela Mara. Mas nem sempre foi assim: antes dos 3 anos, Rodrigo não se interessava muito por jogos. "Acho que foi a partir dessa altura que ele passou a perceber o que significa perder e ganhar, porque também jogava na escola." A psicóloga Jordana Pinto Cardoso explica que, por norma, as crianças costumam ficar mais competitivas a partir dos 2 anos. E acrescenta: "Muitas vezes são impulsionados pelos comentários dos pais ou dos educadores como ‘vamos ver quem é o primeiro’." Magda Gomes Dias atira outra explicação: "Ainda são imaturos em termos emocionais e associam o perder a não gostarem deles."



Mas Rodrigo não é caso único. Mariana, com a mesma idade, fica muito amuada com a mãe, Ana Marçalo, quando ela não a deixa ganhar. Já com o pai a história é outra. "O pai deixa-a ganhar porque não gosta de a ver triste e viu na televisão uma apresentadora a dizer que o avô a deixava ganhar sempre porque queria que ela fosse uma vencedora na vida", explica Ana. Não é de estranhar que o oponente favorito de Mariana seja o pai. "O que a investigação tem mostrado é que, habitualmente, a relação com o pai está mais ligada à componente lúdica, do brincar, e a relação com a mãe com os cuidados directos, apesar da tendência estar a mudar", diz a psicóloga.

E quando se tem irmãos?
Carminho tem 4 anos e um feitio apurado. Com os pais e o irmão, Manel, de 9 anos, costuma jogar às cartas. Quando se apercebe de que não ganhou, irrita-se e fica com cara de maldisposta. A mãe, Maria, tenta consolá-la: "Não importa perder, importa estarmos aqui a brincar as duas e com o mano. Gosta de brincar com o mano, não é? O mano ganhou, mas da próxima vez a Carminho ganha, não tem mal." Mas a miúda olha para o lado, chora e queixa-se de que nunca ganha.

Ao fim de dois ou três jogos, a mãe deixa-a vencer um, no máximo dois, mas depois volta a ser um jogo justo, para o irmão não se chatear. Magda Gomes Dias sublinha que é importante não colocar os irmãos a competir um com o outro. E acrescenta: "Não é nada saudável. Podemos é fazer com que eles joguem na mesma equipa, contra outros." Maria faz a gestão das derrotas e vitórias, deixa a filha ganhar porque não quer que ela desista, nem que fique revoltada com ela própria. "Tenho de a motivar e para isso tenho de a deixar ganhar, mas não pode ser sempre", explica à SÁBADO.

Duarte, 8 anos, costuma jogar ao Pictionary e às cartas com os pais e o irmão. Quando perde, a reacção é de frustração, não quer jogar mais. Até em jogos de futebol com os vizinhos é capaz de pegar na bola e ir para casa. Resultado: ninguém joga mais. "Já não o deixamos tanto ganhar, só quando era mais pequenino. Agora tem de perceber que se perde e se ganha", diz Olga, mãe de Duarte. E acrescenta: "Antes ficava muito contente, mas depois vinha o irmão e dizia ‘ganhaste porque te deixaram’ e estragava tudo."


Sábado, publicado em 16 Novembro 2017

A Supernanny é Parentalidade Positiva?

21.1.18



Num dos grupos de alunos Pós-Graduados em Parentalidade Positiva, foi deixado este link onde se dizia que os métodos utilizados pela SuperNanny eram métodos de Parentalidade Positiva. De alguma forma é como se este título - Parentalidade Positiva - pudesse aliviar ou até justificar o programa que a Sic tem emitido e que se recusa a retirar do ar. E quando a confusão está lançada, é urgente uma explicação e clarificação para que não andemos a brincar com as palavras.

Para quem não sabe, em 1989, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança [podes descarregar aqui o documento] pôs em marcha  uma "revolução tranquila" no que diz respeito às relações entre pais e filhos. As ideias que foram redigidas nessa convenção foram mais tarde recuperadas, em 2006, pelo Conselho da Europa na Conferência dos ministros europeus responsáveis pela área da família. Aí ficou decidido que a parentalidade deve estar na esfera do domínio político e a educação deve apoiar-se nos afectos.
Desta reunião sai uma recomendação que é muito clara e que tem como objectivo encorajar os estados membros a promoverem políticas de parentalidade positiva no sentido de apoiarem as famílias na educação dos seus filhos, passando por políticas familiares, programas de apoia a essas famílias, instituições e outras medidas.

Mas o que é a parentalidade positiva? "A parentalidade positiva promove um comportamento parental que respeita o superior interesse da criança, os seus direitos" (Convenção das nações Unidas), favorecendo a sua autonomia e considerando-o, desde logo como uma pessoa por inteiro.


Uma pessoa é uma pessoa independentemente do seu tamanho. 
Dr. Seuss

O texto continua e explica que a parentalidade positiva não é uma parentalidade permissiva porque estabelece limites claros necessários ao desenvolvimento seguro da criança. Esta parentalidade tem por base uma educação com base em afectos, onde não são considerados os castigos, a agressão física nem a agressão psicológica que pode ser feita através de comportamentos humilhantes, violando assim a sua integridade enquanto ser humano.

Sabemos que a Convenção Europeia dos direitos do Homem e a sua jurisprudência garantem a todos o direito ao respeito da sua vida privada e familiar. Simultaneamente, descrevem a família como uma célula fundamental da sociedade que tem o direito de ser protegida protecção.

É leviano chamar aos métodos utilizados no programa (e ao programa em si) como sendo o exercício da Parentalidade Positiva. Considero que pode 'dar jeito', uma vez que o tema está na moda, que muito se fala atualmente sobre parentalidade. Mas não são métodos de parentalidade positiva porque humilham, não trabalham a autonomia nem dão um poder positivo aos jovens.

Como terás certamente reparado, a Escola da Parentalidade tem o meu nome - e não é em vão. O objectivo é deixar claro o modelo que temos, que registamos como nosso (haverá outros) e que repudia por completo estratégias como o cantinho do pensamento, as humilhações, ameaças ou subornos. O modelo que desenvolvemos tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos. Terminei ontem a primeira fase da Pós-Graduação em Parentalidade Positiva que ministramos e o apoio que damos é diretamente às famílias e instituições. Este conhecimento que é transmitido capacita os alunos para fazerem uma intervenção (profissional ou nas suas famílias) que não só lhes confere um poder mais positivo como cria um ambiente de paz e de desenvolvimento seguro (emocional e físico) para todos os elementos. É um modelo que tem por base os afectos, a vinculação e assenta na transformação da relação e da comunicação.

Por tudo isto, nunca a Parentalidade Positiva poderia apoiar, sequer, a ideia do programa, que expõe a família, não a protegendo.

Para saberes mais sobre o trabalho que temos desenvolvido clica aqui:

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A Autorregulação em 3 passos

20.1.18



Um dos tópicos que abordamos ao longo de toda a Pós-Graduação que está a decorrer aqui no Funchal é a autorregulação dos pais. Há imensos segredos para exercermos uma parentalidade mais positiva e que traga mais significado aos nossos dias e um deles passa, inevitavelmente, por nos auto-gerirmos e termos atenção ao tipo de resposta que damos.

Na verdade, como escrevi no Berra-me Baixo e também no Crianças Felizes, não mudamos ninguém - apenas nos podemos transformar, num processo de melhoria contínua.

Há 3 passos por onde podes passar. 
Precisas então de identificar o que nos tira do sério, conhecendo qual é o nosso padrão de comportamento habitual. De seguida, reflectir qual seria a forma como gostaríamos de responder a essas situações e treinar. E sim, basta isto.
Ajuda, claro, leres o Berra-me Baixo que muito mais do que um livro sobre como deixar de gritar com os filhos mas antes um livro sobre como criar dias com mais significado, tranquilos e nos deixe ser os pais que sempre quisemos ser.

Segue-nos aqui:

O poder dos pais | Super Nanny

15.1.18


"Estás a ver a Sic? Já colapsaste?? SOCORRO!!"

Era assim que começava uma das muitas mensagens que fui recebendo ontem à noite.

Hoje de manhã, continuavam a cair pedidos como 'Temos de fazer alguma coisa, esta vergonha não pode continuar!!'

E todos, à nossa maneira, nos fomos mobilizando. Uns enviaram queixa à Entidade Reguladora da Comunicação, outros à Ordem dos Psicólogos e muitos partilharam a sua indignação nas redes sociais.

A meio da tarde, outra mensagem

"O programa até poder ser muito mau mas mostra que há famílias que precisam de formação e ajuda com os filhos.
4º lugar nas audiências!!!"


Quase ninguém gostou mas quase todos viram o espectáculo. Espectáculo porque se trata de um reality show. Não é uma simulação, não se tratam de atores mas de vidas reais. Concordo, por isso, com o que a minha amiga diz - que muitas famílias precisam de formação (eu diria que todos precisamos de ajuda e acompanhamento naquela que é a nossa função mais importante) MAS essa formação não passa por expormos a nossa vida ao mundo, por muito que possamos considerar pedagógico (não encontro nada de pedagógico nas soluções apresentadas, nem no formato, ainda assim). 
Há quem diga que sempre houve realities shows e que não podemos estar tão ofendidos ou incrédulos. É verdade, mas nenhum, até agora, expunha a vida de uma criança desta forma. Mesmo que, no limite, tudo seja legal - porque há contratos e autorizações assinadas...

Este texto do Observador está muito bem escrito e expõe uma série de factos e entrevistas. Por exemplo, os pais da criança exposta ontem vão ser escutados. Ainda que não tivessem atuado por mal, a verdade é que não souberam proteger a intimidade da filha nem a sua. A nossa função enquanto pais é, antes de tudo, protecção. E talvez por isso precisem, de facto, de formação parental e de um acompanhamento que os capacite para conseguirem mais harmonia e paz em sua casa. Sem alarido, sem exposição. 
Penso muito na criança de ontem (e todas que virão a ser apresentadas nas próximas semanas). O que será que aprenderam com isto tudo? O que pensarão de si, dos seus pais, da proposta que lhes foi feita? Em que é que acreditam agora? 

Todas as relações são complexas e todas as relações têm um grande potencial para serem incríveis!

Sabemos que o inferno está cheio de boas intenções e que a maior parte das pessoas não faz as coisas por mal. Mas se formos a usar este tipo de justificação para tudo na vida, então seremos livres de fazer o que quisermos porque tudo é feito por bem. E a vida real não é nem pode ser assim!

Compreendemos ontem que a educação não se faz com castigos, nem humilhações, nem com tabelinhas, prendinhas ou com 'agora vais parar de fazer birra, está bem?' Tenho a certeza que muitos sentiram vergonha. Outros reviram-se naqueles comportamentos e talvez, desse ponto de vista, o programa tenha tido uma nota positiva caso tenhamos compreendido o impacto imensamente negativo de tais estratégias. Trocar comportamentos por o cantinho do pensamento ou por prendas não traz nada de bom. 

Realities shows sempre houve - os seus objectivos são claros e parece haver uma espécie de ciência e de requisitos a 'picar' para que sejam top! O que mais me deixa apreensiva é, no entanto, saber que há pessoas que aproveitam a miséria humana para além de todos os limites - expondo os miúdos desta forma. E o mais curioso é que, aposto, muitos deles são pessoas de bem, outros com filhos em casa ou sobrinhos na família. Que pensarão hoje, 24h depois do impacto do primeiro programa. A sério? Será que temos a noção que todos, sem excepção, temos responsabilidades enormes nisto tudo. Temos muito que pensar. Muito ainda para aprender. Fico com a sensação  que algo não voltará a ser (pelo menos durante algum tempo) o mesmo. 

'Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu não disse nada, eu não era comunista.
Quando prenderam os sociais-democratas, não disse nada, eu não era social democrata.
Quanso vieram buscar os sindicalistas, não disse nada, eu não era sindicalista.
Quando me vieram buscar, não havia ninguém que protestasse.

Martin Niemöller

Segue-nos aqui:






1 tema | 5 posts ** Escuta ativa

14.1.18



Começámos o ano a explicar-te o conceito de escuta ativa. Muitas, mas muitas vezes confundimos conceitos e aqui na Escola sentimos que é importante clarificarmos exatamente o que é o quê. Por isso, esta semana, insistimos na ideia da escuta ativa.
Frequentemente, tenho a ideia que mais ninguém escuta ninguém. Ou quando escutamos, temos sempre de adicionar alguma coisa nossa, reconfortar a outra pessoa e dizer-lhe que tem de ver as coisas de forma positiva, por exemplo.
Mas escutar ativamente não tem nada a ver com isso. É um ato de coragem, de respeito pelo outro. É ampará-lo na conversa onde só ele e as suas coisas existem. E é mágico. Conheço poucas pessoas capazes de o fazer. Mas as que o sabem fazer tornam-se pessoas incríveis na vida de quem souberam escutar. E quando fazemos este tipo de escuta, ajudamos o outro a alcançar um nível de entendimento de si que poucos conseguem.
Escutar ativamente não pressupõe silêncios e antes questões colocadas na hora certa. Questões que se aprendem a colocar. Com muito treino, é certo. Mas que vão fazer toda a diferença na vida de quem as recebe (para saberes mais, espreita aqui).

Os cinco + desta semana são:

1. Saberemos mesmo escutar as crianças?
2. O poder da escuta ativa
3. A escuta ativa em dois exemplos
4. Sabes escutar, ativamente? Mesmo?
5. Definição de escuta ativa


Segue-nos aqui:

A escuta ativa em 2 exemplos

11.1.18
A Escuta ativa em exemplos


Exemplo 1:
Filho: "Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe: "Tu não me falas assim, António Manuel. Vem cá, pede já desculpa e vamos embora para casa! Lá em baixo vamos conversar melhor. Agora nem mais um piu".


Exemplo 2:
Filho:"Mãe, já te disse que não me vou embora! Não quero ir para casa. Vou ficar aqui!!"
Mãe (a sorrir): Isto é que deve ter sido uma festa e peras para tu não queres ir embora. Foi?"


Exemplos retirados do livro Crianças Felizes




Segue-nos aqui:

Sabes escutar ativamente? Mesmo?

10.1.18


Muito se tem ouvido falar em escuta activa mas a verdade é que somos ainda muito poucos a saber fazê-lo. Nesta formação  um dos módulos é, precisamente, a escuta ativa. No final da primeira sessão, a maior parte dos participantes está de acordo que o mais difícil de fazer é, efectivamente, escutar. 

Porquê?

1 - Fazemos interpretações, julgamos e por vezes até condenamos
"Eu nunca faria isso! Se fazes assim, então é porque... "
"Que sorte que tens!"

2 -Procuramos pôr em comum
Eu também! Está sempre a acontecer-me o mesmo. 
Oh! A mim nunca é assim.
E escutar o outro é só escutá-lo, silenciando o que vai dentro de nós.

3 - Salvar
"Deixa lá, vais ver que vai correr bem! Não te preocupes, não penses mais nisso!"
Escutar é escutar. Há momentos que a coisa mais importante a fazer é mesmo só isso. Sem dar soluções ou ideias ou palmadinhas nas costas. 





Escutar é mesmo um ato de coragem!
Magda Gomes Dias

Mas se por um lado fazemos todas estas coisas acima somos, ao mesmo tempo, muito passivos na escuta. Colocamos questões fracas e que muitas vezes não mostram genuíno interesse e não ajudam os miúdos a explorarem respostas ou outras formas de ver a questão.
Repara que nem sempre tens de ter resposta da criança mas quando a questão fica lá dentro...

Aqui ficam as dicas para se fazer uma escuta ativa como deve de ser:

1 - Há quem diga que é impossível não julgar, interpretar. E eu estou de acordo. 
Mas podemos sossegar os nossos pensamentos, permanecendo focados no que a pessoa à nossa frente está a dizer.

2 - Fazer pausa na nossa agenda pessoal e deixar as nossas ideias e percepções de lado, procurando ver o que é que o outro está a ver.

3 - Escutar com interesse genuíno, eliminando qualquer tipo de distração

4 - Interessa-te. Olha para o teu filho. Para as expressões giras que faz. Segue os olhos dele sempre que puderes - esta é uma excelente técnica de te esqueceres de ti e te entregares totalmente à conversa.

5 - Procura ser o mais empática possível. E toma nota: ser empática não é concordar nem ceder. 

6 - Trabalha a flexibilidade cognitiva - e para o fazer coloca boas questões, ajudando o teu filho a olhar para as questões (sempre que se justificar) por outro lado!


Escutar é, por isso, um ato de coragem porque implica que saibamos praticar uma escuta silenciosa, que respeita o outro nos seus receios, ansiedades e expectativas, sem termos de o salvar, dar sugestões ou interferir. Não é fácil, é certo, mas quando o sabemos fazer, é mágico e tranquilo. 


Segue-nos aqui:





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